Homens gays transformam sonho antes considerado impossível em novas formas de paternidade.
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8 ago. 2026 às 23h00 Edição Impressa Diminuir fonte Aumentar fonte
Leo nasceu em 20 de março deste ano, realizando um sonho que parecia impossível para Felipe Barros e Rafael Amaral: serem pais. Mia, nascida há dez meses, também concretizou um desejo distante para Lucas Rangel e Lucas Bley.
Para muitos homens gays, a ideia de paternidade esteve socialmente associada ao modelo heterossexual durante décadas. O casal de influenciadores Lucas Rangel e Lucas Bley sempre sonhou com a paternidade, enquanto Felipe Barros e Rafael Amaral só começaram a pensar nisso na pandemia.
Felipe, ator, roteirista e produtor, cresceu na década de 1990 sem imagens possíveis de homens gays em papéis paternos. Aos 23 anos, assumiu sua orientação sexual, e três anos depois conheceu Rafael. Eles se casaram em 2019.
A pandemia foi o ponto de partida para pensar na paternidade. Rafael diz que não via-se no papel de pai, mas o desejo amadureceu ao longo do relacionamento. Lucas Rangel sempre sonhou com a paternidade desde criança e encarava o processo como algo eventual.
Para muitos homens gays, a falta de referências simbólicas permitiu que a ideia de paternidade se tornasse distante ou impensável. A psicóloga Natália Aguilar destaca: "Sem referências concretas, muitos cresceram sem autorização para projetar o lugar de pai para si."
No Brasil, a gravidez por substituição é permitida desde que cumpridas certas regras. O casal pode recorrer a uma gestante parente ou outra mulher com autorização do CRM. A adoção segue as mesmas regras aplicadas aos casais heterossexuais.
A busca por esse procedimento foi impulsionada por avanços tecnológicos e normas do CFM, que garantiram o direito de acesso à comunidade LGBTQIA+. O reconhecimento das uniões homoafetivas pelo STF em 2011 também contribuiu para a visibilidade da paternidade gay.
Estimativas indicam que 6% dos tratamentos de reprodução assistida envolvem casais homoafetivos no Brasil. Alternativas internacionais, como os Estados Unidos e Colômbia, permitem o processo para casais gays.
A adoção segue as mesmas regras aplicadas aos casais heterossexuais, com a Justiça avaliando o melhor interesse da criança. Essa paternidade intencional pode gerar desgaste emocional, mas favorece um alto nível de preparação e amadurecimento.
A qualidade das relações entre pais e filhos pesa mais no desenvolvimento da criança do que a configuração familiar, afirma Natália Aguilar.